aliteração decoração

Sinto falta de ver explanada a minha forma de sentir as coisas. Essencialmente porque olhar para o que sentia sob a forma de palavras fazia-me, muito honestamente, lembrar-me do que sabia sentir. Agora só sei. Olho o sentir dos outros como um cientista, um arquiteto de régua e esquadro que nem obras faz, e sei tanta coisa que cada vez sei menos… Só sei que nem nado nem nada sei. sinto falta de ver cristalino, claro como a água à minha revolta, o vazio que a arte provoca em mim. sinto falta de olhar para um quadro e sentir-me burra a olhar um palácio que nem lá está pintado, completamente inundada pelo belo, e que bom esse palácio, que bom esse nada que vive no espaço que só existe entre os pelos do antebraço quando eles se levantam para o olhar. faz falta dar corda às coisas que sinto e mandar calar as que penso. faz falta dar corda ao coração e mandar as sinapses nadar de mariposa no silêncio da estética. faz falta querer e acreditar. faz falta a frase que me estava a lembrar de escrever e agora me esquece, mas que amanhã, ao acordar, mora em mim como eu nela. mais uma caimbra de quem se deixou de piscina, anos sem sombra de onda, e que teme o impulso de mergulhar de cabeça num azulejo seco, só porque ainda assim, cair de osso certo na memória de nadar na tinta, parece mais bonito que o vazio de mais um dia que, descar(n)adamente, nos finta.

books-n-quotes:

“Growing apart doesn’t change the fact that for a long time we grew side by side; our roots will always be tangled. I’m glad for that.”

— Ally Condie, Matched
(via books-n-quotes)

embriague-se-de-poesia:

Eu sei que é impossível explicar isso para você. Eu carrego esse terrível inferno no meu coração.

Charles Bukowski, em uma carta para Louise Webb, em Screams From The Balcony: Selected Letters 1960 - 1970